sábado, 20 de setembro de 2008

Despedida

Essa foi minha última semana de trabalho em Baroda e durante a semana tivemos dois eventos de despedida.
O primeiro, em um hotel, fizeram um jantar somente para a gerência da fábrica e os outros brasileiros. Conseguiram colocar bebida (cerveja e wisky) no jantar, coisa rara aqui no estado de Gujarat. Ficamos por lá conversando, bebendo. Me entregaram presentes e me agradeceram pelo trabalho realizado. Depois jantamos e voltamos para casa.
O segundo evento foi na sexta-feira mesmo, meu último dia de trabalho. Juntaram todos que tiveram algum contato comigo no restaurante da fábrica e, após uma seção de discursos, comemos um lanche tipicamente indiano. Me deram mais um presente, desta vez vindo dos process owners do projeto, uma roupa indiana.
Mas o que mais me emocionou mesmo foi um vídeo surpresa que fizeram para mim. Os gerentes e o pessoal da equipe que trabalhou comigo gravaram depoimentos sobre mim e meu trabalho, fizeram a edição do vídeo e ficou muito legal. Uma lembrança para vida toda. Infelizmente ainda não estou trazendo-o comigo porque não conseguiram gravar no DVD, mas prometeram me enviar assim que possível.
Saio daqui triste por sair no meio de um projeto, mas feliz de voltar para casa. Com a sensação de dever cumprido e reconhecido por isso. Só tenho a agredecer pela equipe de Baroda e o suporte de todos os que estão por lá. Obrigado!

domingo, 14 de setembro de 2008

Coisas que Aprendi na Índia - VIII

-Jayaraman, do you know "The Beatles"?
-Who?
-The Beatles!
-What is that???
-Unbelievable... Ashok, do you know "The Beatles"?
-I've heard...
-You guys don't know who are John Lennon and Paul McCartney!?
Cara de pastel...
Foi aí que eu aprendi que a Índia é realmente outro mundo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Freakonomics

Não sou economista. Muito pelo contrário, conheço muito pouco do assunto. Sei o que é bom e o que é ruim para um país, mas não entendo exatamente como essas variáveis se relacionam e o que deve ser feito para que as coisas melhorem.
Mas depois de sete meses aqui na Índia, posso dizer que, como brasileiro, preciso falar sobre uma injustiça que fazem com o nosso país. Deixei claro que não entendo de economia porque essa é uma opinião de cidadão, sem embasamento técnico.
Não existe o menor cabimento em comparar o crescimento econômico do Brasil com o da Índia. E isso é um comentário feito constantemente – o Brasil está muito mal, crescemos somente 4% ao ano enquanto a Índia cresce 8% ou 9%.
Primeiro, como consumidor, posso dizer que prefiro crescer 4% com uma inflação de 5% ou 6% ao ano, do que crescer 8% com uma inflação de 12%. E esse é o cenário aqui. Já convivemos no passado com inflações absurdas e talvez aqueles que estão entrando no mercado de trabalho não se lembrem como era isso. O fato é que a inflação na Índia é mais perceptível nos mercados.
Do ponto de vista do trabalhador, prefiro morar em um país que cresce 4% mas com um salário mínimo de R$415,00, e não em um que cresce 8% com salário mínimo de R$150,00. Muitas pessoas trabalham ilegalmente aqui para conseguir algum dinheiro. Sem seguro de saúde, sem condições de segurança e sem aposentadoria. São empregos com margem de lucro zero, trabalham para conseguir pagar a janta.
Como empresário, prefiro ter minha empresa em um país que cresce 4% ao ano, mas sem preocupação com problemas de energia elétrica, do que em um que cresce 8% mas as faltas de energias são constantes, as vezes por horas. Aqui todas as empresas tem geradores próprios, existe um rodízio de energia para que as empresas não a utilizem todas ao mesmo tempo. Tem dias que não se consegue trabalhar pois não há energia para ligar os computadores.
O crescimento da Índia se dá baseado na exploração da mão-de-obra baratíssima, de uma estrutura ferroviária muito boa, apesar de lenta, e do fato que é uma cultura industrial recente. Não existiam muitas empresas na Índia no passado, agora é que elas estão se instalando devido ao baixo custo. Para ter uma idéia do que estou dizendo, o engenheiro que trabalha comigo, foi assistir televisão pela primeira vez a vinte anos atrás.
No fim é preciso entender que o crescimento econômico se dá através de um nivelamento. O que quero dizer é que, após a globalização, os países mais atrasados tiveram, e ainda tem, mais espaço para crescer mais rápido, mas não isso não significam que estão a nossa frente, mas sim que estão, aos poucos, chegando ao nosso nível econômico.
Não acho que vivemos em um país perfeito, muito pelo contrário. Mas viver em um país mais atrasado te faz valorizar mais coisas. Ainda acha que o Brasil deveria crescer como a Índia? Então venha morar aqui para ver os “benefícios” desse crescimento...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Está aberta a contagem regressiva!!!

Hoje faltam exatamente 10 dias para eu sair daqui de Baroda. Minha missão aqui já está acabando. Como citei na postagem anterior, o outro consultor, que chegou para me substituir já está aqui e estamos nos preparando para que ele dê continuidade ao que estava sendo feito até agora.
Planejo sair daqui dia 19 e ir para Delhi, vou aproveitar para conhecer a cidade e o Taj Mahal. De lá volto ao Brasil, muito provavelmente sem parar pela Europa. Vou ter apenas duas semanas de férias e preciso ajeitar minha vida novamente no Brasil então acho que não vou ter muito tempo para isso.
Foram sete meses morando em solo indiano, período no qual aprendi muito, tanto profissionalmente, quanto pessoalmente, mas ao mesmo tempo um período de muita solidão, onde meus maiores companheiros foram meu Ipod e meus pensamentos.
Se valeu a pena? Plagiando o poeta: Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

domingo, 7 de setembro de 2008

Domingo no Parque

Hoje pela primeira vez saí para realmente conhecer Baroda. Aproveitei que o consultor que chegou para me substituir chegou e pedi um táxi para passar pelas construções tipicamente indianas de indiana e alguns pontos turísticos.
Começamos pelo prédio da universidade e tirei uma foto pelo lado de fora. Infelizmente a universidade estava fechada, então não pudemos entrar para tirar fotos de mais detalhes. De lá fomos ver o relógio de jardim que fica dentro de um parque. Esse parque é um lugar interessante, tem o parque, um museu e um zoológico. Fomos ao zoológico e, apesar de alguns animais mal cuidados, valeu a visita.
De lá passamos em um templo muito bonito que tem as paredes forradas de alumínio e então fomos ver a estátua de Shiva, uma grande estátua no meio de um lago. Esse lago fica no que chamam de cidade velha, não é um bom lugar, mas é onde ficam as construções mais antigas. Lá pudemos ver um pequeno palácio e um dos portais da cidade.
A última parada foi no palácio Lukshmi Vilas (o mesmo que fui no início da minha estadia), construído pelo marajá da cidade em 1890, hoje é um museu sobre a história do próprio palácio e os herdeiros da família ainda moram por lá.
Voltamos para o hotel e, depois de almoçar, fomos a piscina. Pela primeira vez em seis meses entrei na água, que estava bem agradável e descobri uma mesa de ping-pong no hotel. Jogamos e depois subimos para ver a fórmula 1.
Quanto ao passeio na cidade, tirando o zoológico, não vi nenhum lugar novo, mas pela primeira vez pude registrar. É uma pena que a Índia não investe mais em turismo, todos os lugares restringem o uso de máquina fotográfica e a falta de conservação do lugares é clara.
Foi um bom domingo, é muito diferente poder fazer alguma coisa acompanhado pela primeira vez de alguém da sua idade. Sem dúvida, mais divertido.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Cuidado com o que diz...

Morar no exterior é uma merda. Com o tempo você assume que a maior de todas as verdades é que ninguém pode te entender se você está falando o seu idioma nativo. Aí você dispara a falar todo o tipo de bobagem, afinal quem pode te repreender por qualquer uma delas se ninguém o entende?
Semana passada, seguindo o mesmo ritual de todo o final de mês, o hotel ofereceu aquele jantar para os hóspedes. Esse é aquele jantar que mencionei à algum tempo atrás no qual pude beber cerveja depois de um bom tempo. Enfim, fomos eu e um outro brasileiro que estava aqui para me ajudar no trabalho.
Chegamos, sentamos e começamos a conversar. Havia um casal – parecendo indiano – sentado muito perto. Enquanto o garçom os servia disse ao outro brasileiro que, muito provavelmente, aquele era mais um casal de indiano que vive na Inglaterra, como aparece em todo o jantar.
Continuamos a conversar e logo o tal “indiano” se direciona a nós e com um sotaque português carregadissímo nos diz – “Vamos falar português então?”. O casal – ela indiana e ele do paquistão (acho) – haviam morado por 13 anos em Lisboa e falam um português perfeito.
Ficamos conversando e descobri que os dois são artistas plásticos, hoje moram na Austrália, e estão aqui em Baroda porque foram convidados para dar algumas aulas na universidade daqui.
Mais no final do jantar vi o gerente do hotel em outra mesa apontando para nós e dizendo que eramos brasileiros. Nisso veio um cara – “Vocês são brasileiros?” – era um alemão sem sotaque algum. Morou por 20 anos no Rio de Janeiro e estava na outra mesa contando a vida no Brasil. Conversamos rapidamente porque eu já estava indo embora.
O que fica desse episódio é que devemos sempre ter cuidado. Nesse dia, na mesma sala que eu, em Baroda, na Índia, do outro lado do mundo, haviam três pessoas capazes de me entender perfeitamente. Extrangeiros que dominam o português. Sorte que era um dia sem inspiração, então não deu tempo de soltar nenhuma bobagem antes que eu pudesse descobrir isso.

sábado, 16 de agosto de 2008

Ponto de Vista

Assistir a um evento tão grande quanto as olimpíadas em outro país é uma experiência muito interessante. Ainda mais quando esse país possui um gosto tão diferente por esportes.
Aqui na Índia, os esportes mais populares do mundo ficam em segundo plano. Eles gostam de esportes que a maioria de nós nem sabe da existência. E isso se reflete na maneira em que eles transmitem os jogos.
Para começar dos seis canais de esportes que eu tenho disponíveis, apenas um está transmitindo os jogos olímpicos. Para os outros canais, é como se esse evento não existisse, eles continuam transmitindo seus jogos de cricket, torneios de golfe e outras coisas que só os indianos assistem.
Então, esse tal canal, tenta transmitir tudo e no final não transmite nada. Isso porque eles ficam cortando de um esporte para o outro. Além disso, quando conseguem se focar em alguma coisa, se focam naqueles esportes que a gente nem sabe que tem nas olimpíadas, ou naqueles que a gente só vê os resultados.
Como consequência, tenho acompanhado na integra partidas de hóquei da grama (masc e fem), badminton (masc, fem e em duplas), provas de tiro e arco e flecha e ontem, durante as provas de atletismo, pude ver lançamento de disco e peso e 3000 metros feminino com obstáculos!
Imaginem o que é acompanhar um campeonato de tiro ou arco e flecha? Nada mais monótono e devagar que isso. São dois tipos de esporte para se saber o resultado, não assistir! O pior é que um indiano ganhou o primeiro ouro do país em 300 anos, aí eles ficam repetindo isso toda hora.
Arremesso de disco e peso não são muito diferentes do campeonato de tiro. Cada um dos competidores vai lá, se concentra, arremessa e, quase sempre, se lamenta.
Agora, imagina o que é 3000 metros femininos com barreiras!!! A minha pergunta foi: “Cara, para que as barreiras?”. Não é uma prova de velocidade, portanto não exige técnica saltar as barreiras. Pouco antes da barreira elas só têm que acertar o passo e pular. O pior é que umas das barreiras tem uma piscina logo depois. O que é isso? Parece adestramento de cavalo...
No final, futebol, volei, handebol, basquete e provas curtas da natação e atletismo, coisas que são realmente emocionantes de ver, ficam todas em segundo plano. Mostram o resultado ou mostram entre um corte e outro no jogo de badminton.
Tudo isso é, no mínimo curioso, porque se transmitem assim é porque dessa maneira dá uma boa audiência. O que mostra que o indiano é um povo realmente diferente.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Grandes Mitos do Emagrecimento

Pessoas fora de forma sempre buscam ler sobre o assunto e descobrir maneiras de perder peso com novos hábitos, regimes milagrosos e coisas do gênero. Aqui na Índia pude provar a ineficácia de várias dessas recomendações:

  • Tomar um bom café da manhã desperta o metabolismo e faz com que se queime mais calorias: a maior vantagem de se morar em hotel é o café-da-manhã. Todos os dias tomo um café da manhã com torradas, frutas, água de coco e um capuccino para acompanhar. De nada adiantou.
  • Cerveja engorda: tomei quatro copo de cervejas durante esses seis meses que estou aqui e não perdi nenhum grama.
  • Não é a cerveja que engorda, são os acompanhamentos: acompanhando esses quatro copos de cerveja vieram apenas petiscos grelhados, sem muito molho e continuei na mesma.
  • Evitar carne vermelha emagrece e faz bem: não comi um grama de carne vermelha nos últimos seis meses e também não perdi nenhum grama, falta o exame de sangue pra comprovar se o colesterol baixou.
  • Pimenta acelera o metabolismo e emagrece: puta bobagem! O indiano põe pimenta até na salada e também não me ajudou em nada.
  • Suar emagrece: Suar dá é sede! Nesse pais que faz 40 graus na sombra, suo como um porco quando estou fora do escritório, e também não fui capaz de mudar minha forma.
  • Dormir bem emagrece: Na falta do que fazer nunca tive uma vida tão regrada. Durmo cedo e acordo cedo, quase nunca estou cansado e nada...

Enfim, nesse meu tempo de Índia, os quilos que achei que iriam embora não foram e uns poucos novos se uniram aos antigos. Decidi voltar a fazer esteira nas últimas semana para pelo menos deixar esses quilos indianos aqui. Vamos ver o que acontece...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Inferno Astral

Algumas pessoas dizem que as vésperas de aniversários as pessoas costumam passar por uma fase de inferno astral. Pois é! O meu veio exatamente na véspera.
Trabalhei o dia todo normalmente e antes de ir embora desliguei meu computador. Cheguei em casa e, como de costume, liguei o computador novamente. Ou melhor, tentei ligar. Não iniciava! O computador ligava mas o sistema não iniciava e retornava uma mensagem de erro no disco.
Tentei de várias maneiras colocar para funcionar e nada. O jeito foi esperar o dia seguinte para perguntar para as pessoas de TI da empresa se dava para consertar. Não dava! Problema irrecuperável. Para minha sorte, um pouco antes das minhas férias, eu fiz um backup, então não perdi nada crucial.
No dia do aniversário, na volta do trabalho, meu carro ainda quebrou e tive que esperar mais de uma hora por outro carro para me buscar no caminho. Mas no final deu tudo certo e ainda saí para jantar com outros dois brasileiros.
Agora estou com um computador temporário bem meia-boca e estou correndo atrás de comprar outro. Aqui na Índia essas coisas custam metade do preço que no Brasil, então estou aguardando a resposta da empresa de quanto posso gastar nisso.
Era isso. Nada muito especial sobre a Índia ou sobre como morar aqui. Mas foi um aniversário diferente, sozinho do outro lado do mundo, isolado sem internet e, no final, não foi ruim, apenas diferente.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Coisas que aprendi na Índia - VI

Assim como os cachorros, as cabras abanam o rabo quando estão contentes. E assim como os gatos, elas gostam de subir nas coisas, é possível vê-las sobre pedras, batentes de pontes e até mesmo carros.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Correria

Esse mês foi de correria e acabei abandonando um pouco o meu blog – já tem mais de um mês que eu não posto nada!!! Mas foi correria boa, não ruim.
Primeiro tive novamente férias e, depois de quatro meses, voltei para o Brasil. Morar fora, principalmente em um país tão pouco desenvolvido do ponto de vista social, como a Índia, faz você valorizar muitas coisas que temos. Além disso, pude rever namorada, família e alguns amigos. Foi um período curto, cerca de 10 dias, mas valeu. E agora estou aqui na minha última passagem.
Depois dessas férias voltei para Índia e, nem bem me acostumei com o fuso horário, já saí para uma reunião do projeto na Espanha. A reunião foi excelente, deu um aspecto de time/grupo àqueles que estão desenvolvendo o mesmo projeto em sites diferentes pelo mundo. Além disso, pude conhecer Bilbao.
Bilbao é uma cidade pequena, como quase todas na Europa, mas muito legal. Faz parte do país Basco, conhecido pelo seu forte e violento movimento separatista, mas a cidade é tranqüila. O lugar mais famoso da cidade é um museu surrealista que, em si próprio, já é uma obra de arte. Não entrei, mas o lado de fora é impressionante! Nenhuma parede é reta e todas são cobertas por uma folha de metal. O formato lembra, propositalmente, um navio, já que o museu está na beira de um rio que já foi o canal de exportação de Bilbao.
Depois disso voltei para Índia com o Gustavo (meu coordenador). Passamos a semana aqui vendo o status das atividades e colocando mais ritmo no projeto. Uma semana boa, trabalhamos muito, clarificamos muitas coisas, e passamos algumas responsabilidades.
Agora estou de volta a minha pacata e ordinária vida aqui em Baroda. Volto a ter todo o tempo do mundo dedicado a trabalhar, escrever aqui de vez em quando e não fazer nada...

domingo, 22 de junho de 2008

Chove Chuva!

“Monção é a designação dada aos ventos sazonais, em geral associados à alternância entre a estação das chuvas e a estação seca, que ocorrem em grandes áreas das regiões costeiras tropicais e subtropicais.
O efeito de monção é causado pelo aparecimento sazonal de grandes diferenças térmicas entre os mares e as regiões continentais adjacentes nas zonas próximas dos bordos externos da célula de Hadley. A diferença de temperaturas gera-se devido à muito menor capacidade térmica das superfícies emersas face às regiões marítimas...”
Concorda que é chato? E foi por isso que não prestei atenção nas minhas aulas de geografia e, até agora, não me interessava por isso. Continuo sem saber o porquê acontece (apesar do texto acima tentar explicar), mas o fato é que acontece, e é impressionante.
Durante meus quase quatro meses aqui era quase impossível ver uma nuvem no céu. O sol escaldante daqui da Índia incidia diretamente sobre nossas cabeças. Mas nas últimas duas semanas isso tem mudado.
Durante quase todos os dias quase não se vê o sol. Nuvens estão em seu lugar. Quase sempre carregadas. Ventos, até então inexistentes, começam a mostrar sua cara. E algumas chuvas torrenciais põem-se a cair.
Todo esse movimento é o inicio da famosa monção. E é o assunto do dia: “Chove?”, “Não chove?”, “Você viu a chuva em Mumbai?”, “Parece que aqui começa na próxima semana”. Nas ruas, no trabalho e na TV esse é o assunto do momento.
E o mais impressionante é que apesar de todo o estrago que a chuva traz – doenças, alagamento e destruição – os indianos gostam. Pelas ruas se vê na cara das pessoas que todos estão mais felizes. Quando a chuva cai é como se fosse um momento mágico e as pessoas se molham seja caminhando ou andando em suas motos, sem problemas, é só chuva.
O chapadinha – um outro brasileiro que está aqui há quatro anos – diz que indiano espera a chuva de boca aberta. E essa é a verdade. Eles sabem que depois desse mês e pouquinho de chuva, só o ano que vem. Então eles aproveitam e festejam, afinal, inegavelmente, a água traz seus benefícios.

Brasileirinho

Hoje foi um dia verde e amarelo. Acordei cedo, coloquei minha camisa do Brasil e fui dar uma volta pela cidade com os outros dois brasileiros. Pegamos um Riquixá – também verde amarelo – e fomos para o centro.
Rodamos pelo shopping e passamos por um supermercado. Lá, na prateleira de importados, encontrei aqueles bolos da Bauducco. Comprei! Apenas para matar saudade e sentir o gostinho de um produto brasileiro.
Voltamos para o hotel, almoçamos e combinamos de assistir a corrida juntos. E foi durante a corrida que, juntos, acabamos com o gostoso bolinho de laranja brasileira. E foi no final da corrida que vimos um brasileiro, Felipe Massa, no lugar mais alto do pódio e alcançando o primeiro lugar no campeonato.
Sem dúvida o dia mais brasileiro que tive aqui na Índia.

sábado, 14 de junho de 2008

Coisas que aprendi na Índia - V

Aquele que cita o nome “fila indiana” para descrever uma fila organizada, com uma pessoa atrás da outra, com certeza, nunca esteve na Índia. Nada que se pareça com uma fila aqui é respeitado, seja no supermercado, no shopping, no aeroporto ou no transito, o negócio é se amontoar e passar na frente.

domingo, 8 de junho de 2008

O Dia da Marmota

Nunca tive uma vida tão regrada como aqui na Índia. Acordo todos os dias no mesmo horário, tomo o mesmo café-da-manhã e saio na mesma hora para o trabalho. Volto do trabalho quase sempre na mesma hora, assisto a mesmas séries de TV e entro nos mesmo sites na internet. Se não fosse a rotina do trabalho, que está sempre mudando, estaria fazendo exatamente as mesmas coisas todos os dias.
É quase como se estivesse vivendo naquele filme que tantas vezes passou na Sessão da Tarde, “Feitiço do Tempo”. Para quem não lembra, o personagem principal, vivido por Bill Murray, vai cobrir o Dia da Marmota em uma pequena cidade do interior e acaba preso à esse dia.
Isso pode ser sentido por aqueles que falam comigo constantemente. Porque, literalmente, eles que falam, eu apenas escuto. Não tenho novidades para contar, apenas sobre trabalho e acho chato ficar conversando sobre isso.
E nessas horas que a gente sente falta daquela vida desregrada, cheia de surpresas e imprevistos e que sempre reclamamos que não dá tempo de fazer tudo o que queremos.

sábado, 24 de maio de 2008

Casamento Arranjado

Logo que cheguei aqui, umas das coisas que mais me chamava atenção é que todos os domingos vem um caderno no jornal que é um classificado para procurar esposas. Nesse classificado as mulheres colocam descrições como idade, peso, altura, data e local de nascimento e nome da família.
Vendo isso imaginei que fosse algo cultural, devido ao passado de casamentos arranjados e que, então, ainda se praticava isso como uma opção. Essa idéia persistiu em minha cabeça até o dia que comentei isso com um dos indianos que trabalham comigo e ele me disse que não é uma opção e muito menos um fato histórico, mas sim que os casamentos na Índia são arranjados até hoje.
Fiquei muito espantado. Como assim? Até hoje, em pleno século 21, pessoas esclarecidas têm seus casamentos arranjados pelos seus pais. Ele me disse que ficou noivo com 14 anos, mas que só foi conhecer a noiva aos 21, pouco antes do casamento. Disse que os pais escolhem as noivas para os filhos baseados no passado de sua família e em cartas astrológicas para ver se o novo casal dará certo ou não.
Comentei que se meus pais escolhessem minha futura esposa, sem que eu a conhecesse, certamente ficaria paranóico e muito preocupado com o que poderia vir. Bonita, feia? Gorda, magrela ou gostosa? Não dá para ser hipócrita e dizer que isso não faz a menor diferença. Então recebi uma resposta mais inesperada ainda – “A gente não pensa nisso porque temos certeza que a mulher que nossos pais escolheram é a certa”.
Então entrou na minha cabeça ocidentalizada que, dentro da cultura deles, beleza não faz diferença. Não é que o conceito não exista, mas não é primordial. Não existe preconceito ou rejeição pela falta ou excesso de beleza. O que vale são os valores e o caráter das pessoas. E pude notar isso em vários outros momentos de observação do cotidiano aqui na Índia.
De qualquer maneira as coisas estão mudando. Ele mesmo me explicou que seu irmão mais novo, hoje com 17 anos, está tendo o direito de conhecer sua pretendente antes do casamento e até rola um “namoro” dentro de casa e sempre com a família por perto. E que mesmo depois do mapa astral dizer que ela é a mulher certa para ele, ele poderá dizer que não, que não acha que vai dar certo.
Não dá para dizer o que é certo ou errado. Conhecer alguém se apaixonar, namorar, noivar e só então casar, ou fazer o inverso, casar, se conhecer e se apaixonar. A verdade é que paixão e amor são sentimentos distintos e cada cultura tem sua maneira de lidar com eles.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Coisas que aprendi na Índia - IV

Suástica é um símbolo Hindu, que significa renovação. Toda a vez que eles vão começar ou inaugurar alguma coisa, eles pintam esse símbolo. Quem diria que um maluco pegaria esse símbolo inverteria o sentido e esse se tornaria conhecido pelo mundo como sinônimo de uma coisa tão horrível como o nazismo.

Double Check

Aqui na Índia, acho que pelo preço e abundância de mão-de-obra, é incrível a quantidade de serviços desnecessários.
A primeira vez que percebi isso foi logo nos primeiros meses quando, após jogar granito para fazer uma rua, colocaram cinco mulheres com uma escova para nivelar as pedrinhas na rua. Atividade que durou um dia inteiro e que, se feita por uma máquina, não passaria de uma hora.
Nessa minha última viagem de férias posso dizer que foi mais difícil sair do que entrar na Índia. A quantidade de vezes que eles checam as passagens e passaporte chegou ao insuportável. Só pude realmente guardar a passagem e passaporte quando sentei na poltrona do avião.
Primeiro para entrar no aeroporto de Baroda já tive que mostrar a impressão da minha reserva. Lógico que eu não a tinha, fui num guichê do lado de fora e pedi para imprimirem. Precisou de duas pessoas para fazer isso, mas me entregaram.
Com isso pude passar da primeira barreira. Mas qual não foi minha surpresa quando, menos de cinco metros depois, já dentro do aeroporto, outro policial me pediu para que eu pudesse entrar na fila do check-in.
Fui para o check-in, entreguei minha reserva e recebi minha passagem. Esperei por um tempo até a hora do meu vôo, então, para passar pelo raio-X, mostrei a passagem, depois de passar pelo detector de metal todos precisam passar por uma nova revista, com detector portátil. E após garantir que está tudo bem, o policial pede novamente sua passagem e a carimba. Daí para o avião são mais duas checagens, uma para entrar no ônibus e outra para entrar no avião.
Chegando a Mumbai, tive que fazer a transferência do aeroporto doméstico para o internacional. Aí pedem sua passagem para pegar a senha e depois para entrar no ônibus. Chegando ao aeroporto internacional, mais uma vez tem que mostrar a passagem para entrar no aeroporto.
Aí veio uma seqüência de exibição da passagem. Primeiro para fazer o check-in, depois para entrar na fila da alfândega, depois na alfândega e, novamente menos de cinco metros depois, uma nova checagem para que você possa seguir caminho até a área de embarque.
Depois de uma caminhada, mais uma vez tive que mostrar a passagem para entrar na fila do raio-X. Depois da revista manual e mais uma checagem e carimbo, dessa vez dois passos depois (juro) estava mais um policial conferindo tudo para que eu pudesse descer a escada rolante. Mais duas checagens para conseguir chegar dentro do avião e estava pronto para a viagem.
Está contando ainda? Essa postagem ficou até chata de tanta checagem. Mas queria dar uma idéia do que esse “double check” que estou dizendo. Todas essas conferidas na minha reserva, passagem e passaporte, poderiam ter sido trocadas por, no máximo, quatro e eles estariam tão seguros quanto estão com todo esse distúrbio.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Mulheres Indianas - Priyanka Chopra





Beleza Indiana

Antes de vir para cá me disseram que na Índia não tinha mulher bonita. Depois de um bom tempo por aqui posso afirmar que quem disse isso, ou não olhou para os lados ou não fez engenharia.
É possível ver muitas mulheres bonitas pela rua, o problema é que a miséria e o sol daqui castigam muito. As vezes um mulher com seus 25 anos parece ter quarenta.
Quando se olha para Bollywood (famosa indústria cinematográfica da Índia) então, aí sim se vê muita beleza. Para mostrar isso de tempos em tempos vou postar uma dessas famosas aqui.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Coisas que aprendi na Índia - III

Brahma é um deus híndi, o deus da criação. Dizem que quando uma pessoa é muito bonita é porque Brahma estava olhando por ela. Ou seja, Brahma faz as pessoas ficarem mais bonitas, assim como nossa cerveja.

Férias!

Sim, andei meio sumido. Mas foi por uma boa razão: depois de exatos dois meses de Índia tive minhas merecidas férias. Uma semaninha de descanso do trabalho, da Índia e, principalmente, da falta de cerveja.
Não quis voltar para o Brasil nessa minha primeira pausa. Ao invés disso, fui encontrar minha preta em Paris. Ficamos lá por cinco dias, o suficiente para conhecer quase todos os pontos turísticos.
Fomos a museus, igrejas e outros pontos turísticos. Dessa vez, ao contrario da minha viagem de vinda pra Índia, entrei e conheci os lugares. Subi na Torre Eiffel e no Arco do Triunfo, dos dois se tem uma vista linda da cidade, a qual se vê praticamente toda a cidade.
Conhecemos o famoso Museu do Louvre, mas não tivemos o “pique” de ver tudo. Ficamos na área das pinturas italianas e espanholas, local onde está “a sensação” do museu: o quadro de Mona Lisa. Também exploramos as esculturas e objetos da Grécia e Egito Antigos.
Fomos a várias igrejas: Notre Dame, Sacré Coeur, Saint Suplice, Saint German des Pres, dentre outras. Passamos em frente de quase todos os palácios em Paris, além do Pantheon, Museu das Armas e Jardin du Luxembourg.
Como os franceses não apreciam muito a idéia de falar inglês, pude gastar meu pouco francês por lá. Comunicava-me igual a um índio, mas conseguia entender as pessoas.
Quarta-feira foi o dia de ir para Alemanha. Pegamos o trem para Freiburg, onde iríamos encontrar a Janaisa. Chegamos e nos locomovemos para Badicró (nome dado pelo Duda, porque em alemão é muito difícil falar), uma vila bem perto, onde o casal está vivendo.
Por lá também passamos, fomos a uma montanha e um lago. O legal foi que, apesar de ser primavera, ainda tinha neve nos dois lugares, e sabe como é: brasileiro quando vê neve fica todo animadinho, ao menos nos primeiros minutos enquanto ainda não sentiu o frio.
Passamos bons momentos lá, principalmente a noite, quando íamos para o bar e pedíamos a pequena caneca de meio litro de cerveja alemã. A vida social, inexistente para mim aqui, me fez bem. Foi, realmente, um momento de renovação.
Sábado foi o dia das despedidas. Nos despedimos da Janaisa e do Duda em Freiburg e voltamos para Paris de onde partia nosso vôo. Em Paris ficamos juntos no aeroporto até a hora da do embarque da Bá para o vôo de volta ao Brasil. Nos despedimos por lá, já com saudades.
Ainda passei mais uma noite em um hotel do aeroporto, já que meu vôo só saía na manhã seguinte. Fiz aquela péssima conexão em Mumbai, onde passei a madrugada esperando para ir à Baroda, e na segunda-feira de manhã cheguei aqui, praticamente direto para o trabalho, voltando a minha realidade, não ruim, mas certamente pior do que férias pela Europa.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Jantar Indiano

Estava eu aqui, no meu quarto do hotel, fazendo nada, quando o telefone toca. Era o Ashok, um dos indianos que trabalha comigo, ele estava aqui no hotel para visitar um amigo que também estava hospedado e perguntou se podiam subir.
Subiram e ficamos aqui conversando um tempo, então ele me chamou para ir a casa dele. Como já tinha recusado uma vez e não estava fazendo nada resolvi ir. Fomos lá e ficamos conversando, tomamos um espumante que ele trouxe do Brasil e depois fomos jantar.
O jantar não era nada esquisito, apenas diferente. Era um bolinho feito de arroz e tinha que molhar ele em uma sopa ou um molho de coco. Nada ruim e nada apimentado, comi bem e fiquei satisfeito.
Esse foi meu primeiro jantar indiano mesmo. Foi tranqüilo, bom e sem efeitos colaterais. Se sempre fosse assim não teria problemas em me arriscar mais por aqui.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Aaahh...cerveja!

Nessa última segunda-feira, o gerente do hotel resolveu oferecer um jantar para todos os estrangeiros que estão morando aqui provisoriamente. Eles já tinham me convidado anteriormente para um jantar, mas, infelizmente, não pude ir, já havia combinado um jantar.
Cheguei ao jantar umas 08:30pm e lá já estavam eu, outro brasileiro, o tal gerente, dois suecos, um francês, um alemão e dois outros europeus que não sei de onde eram. Depois de mais um tempo chegou mais um casal e outra família de indianos que moram na Inglaterra.
O jantar foi em um salão no sexto andar do hotel, isso porque eles serviram bebida e, mais importante, com álcool. Tínhamos lá cerveja, vodka e uísque, como estou menino aqui, e fazia um tempo que eu não bebia, fui de cerveja.
Enquanto tomava meus dois copos, eles foram servindo alguns petiscos tipo churrasco de queijo, frango e cordeiro. E aproveitamos fomos conhecendo os outros gringos – sim, aqui também sou gringo – descobrindo onde trabalhavam, o porquê e quanto tempo ficariam na Índia.
Quando já estava com sono, me levantei para ir embora e comecei a me despedir das pessoas, o gerente pediu para ficarmos para o jantar. Como assim??? Achei que o jantar fosse os petiscos! Enfim, fomos todos ao restaurante do primeiro andar e nos deliciamos com o Buffet.
Jantar bom, cerveja boa, boas risadas com os outros gringos bêbados. Fui dormir tarde, quase 12:30am, e, depois de muito tempo, acordei com aquela saudosa e desagradável sensação de quem tomou umas no dia anterior.

sábado, 29 de março de 2008

Coisas que aprendi na Índia - I

As vacas quando deitam, ao contrário de cães e gatos, deitam primeiro em cima das patas dianteiras e depois as traseiras. Deve ser por isso que nunca vi uma vaca "sentada".

terça-feira, 25 de março de 2008

Paixão Nacional

Escutando as palavras “paixão nacional” o que lhe vem à cabeça? Futebol, mulher ou cerveja. Se você não pensou em um desses três ou alguma coisa relacionada à um deles, você é um ponto fora da curva.
Aqui na Índia, paixão nacional é o criquet. Criquet nada mais é do que o jogo intermediário entre o beisebol e o taco, ou bets, que costumávamos jogar nas ruas quando criança. Um jogador lança a bola para acertar a “casinha” do time que está com o taco. Quem está com o taco tem que rebater e trocar de base para fazer pontos. A diferença entre o criquet e o “taco” é que no criquet o time que está lançando a bola tem vários jogadores pelo campo, assim como o beisebol.
A primeira vez que senti essa paixão indiana foi logo que cheguei, quando comentei que gostaria de ir à África do Sul assistir a copa do mundo, e qual não foi minha surpresa quando a resposta foi: “Que copa do mundo? De criquet?”. Como assim??? O cara nem sabia que a copa do mundo seria na África do Sul!!! Tive que explicar que quando nós, brasileiros, falamos copa do mundo sempre é de futebol. Se não for, falamos “copa do mundo de vôlei”, “copa do mundo de judô”, “copa do mundo de natação”. Afinal copa é A Copa, não tem outra.
Com os dias passando vi que aqui tem um canal de TV dedicado a jogos de criquet. Só passam jogos durante toda a programação. Os outros canais de esportes falam de criquet uns 80% do tempo. Futebol, só campeonato inglês, ou champions league, quando tem time inglês envolvido.
O jornal impresso também dedica as principais manchetes para o criquet e apenas pequenas notas para outros esportes. Fiquei impressionado quando cobriram a lesão do Ronaldo. Lógico que com uma pequena nota e uma foto, nada que merecesse mais atenção.
Mais tarde descobri que a Índia é a segunda maior potencia no esporte, só perde para Austrália. Seleção que outro dia a Índia derrotou dentro do seu próprio território na “copa do mundo de criquet”. Uma alegria para eles, mas muito longe das comemorações que fazemos depois de cada vitória na copa do mundo. Nada de festa, buzinasso e comemorações pelas ruas.
Estão longe da euforia, discussões intermináveis e marketing que envolve o futebol no Brasil. Aqui não se vê jogos entre clubes, um campeonato nacional ou uniforme dos times a venda. Aliás, até hoje não vi nem o uniforme da seleção a venda.
Acho que essa paixão nacional do indiano está mais para uma mania nacional. A verdade é que, mais do gostar e assistir, eles gostam mesmo é de jogar. Isso sim se vê a todo tempo em qualquer lugar.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Calor que até jegue na bunda "sua"

Passei uns quatros anos de faculdade escutando esse trocadilho e aqui na Índia todos os dias lembro-me dessa frase. Talvez agora o mais adequado seja “calor que até búfalo na bunda “sua””, afinal búfalos e vacas é o que não falta aqui.
Aparentemente a Índia tem três estações no ano: verão, verão molhado e extra-verão. Estamos, pelo calendário, no final do inverno e aqui faz um calor de uns 35oC todos os dias. É calor demais! Imagina como será o verão?
Sei que Julho é o mês das chuvas, passa um mês chovendo sem parar. São aquelas tais das monções que eu não prestei atenção nas aulas de geografia do 1º grau – quando que, naquela época, iria pensar que moraria na Índia? –. Fora dessa época não chove, pelo menos até agora não vi uma nuvem no céu.
Estou me preparando para o extra-verão. Quando a temperatura bater os 40oC eu aviso. Vai ser um período de choques térmicos entre o ar condicionado do escritório e o calor escaldante do chão-de-fábrica.
O negócio agora é sentar ao ar condicionado, se refrescar e esperar por mais calor...

sexta-feira, 14 de março de 2008

Tata Nano

O Richárdão me perguntou e achei conveniente responder em aberto. A pergunta foi sobre o Tata Nano, que ganhou destaque na imprensa ao ser anunciado como o carro mais barato do mundo. O carro deve custar algo em torno de US$2.500,00, preço conquistado com corte de todos os itens de conforto, e porque não dizer alguns de segurança, e um motor que não passa de 30CV.
A verdade é que o engenheiro que um dia estava trabalhando na Tata e pensou – “porque não desenvolvemos o carro mais barato do mundo para torná-lo mais acessível?” –, não tinha a mínima idéia do que estava fazendo.
Para vocês entenderem o cenário: Já citei em uma postagem anterior que moto aqui na Índia é o carro da família. As pessoas andam em três adultos nas motos e diariamente vejo famílias, do tipo pai, mãe e duas crianças, em cima da mesma moto para se deslocarem pela cidade.
A pergunta que devemos fazer é: por que essas pessoas não têm carro? Com certeza não é por que acham menos seguro ou menos confortável. Eles não têm porque não podem ter! Não conseguem pagar por um.
Agora o que acontece quando se coloca no mercado um carro com preço competitivo ao de uma moto? As pessoas comprarão carros! Se o trânsito aqui já é caótico cheio de motos, imagina se todos usassem carros?
Como disse antes, as pessoas aqui não se respeitam no trânsito, muito menos os motociclistas. Muito provavelmente eles continuaram guiando os seus novos carros da mesma maneira que guiam suas motos e a Índia parará (coisa que já acontece nas grandes cidades).
Não estou dizendo que acho que as famílias têm que carregar suas crianças em suas motos mesmo – para falar a verdade é algo muito chocante ver bebês sendo prensados entre o pai e a mãe –, mas sim que a Índia ainda tem que investir muito em infra-estrutura, educação e fiscalização para poder colocar um carro com esse preço nas ruas.

terça-feira, 11 de março de 2008

Primeiro Mês

Hoje completo um mês morando aqui na Índia. Num balanço geral acho que as coisas estão muito boas. Na verdade, as coisas que eu achei que seriam difíceis estão sendo super fáceis e, as coisas que achava que seriam fáceis são as mais difíceis.
Toda aquela história de ficar doente, não conseguir comer a comida daqui e ter restrições quanto a água foram para o saco. Até hoje, não fiquei doente nem um dia, não tive nenhum surto de indigestão e bebo água o dia inteiro.
Como já disse antes, estou hospedado num hotel excelente, com uma estrutura muito boa e uma cozinha que sabe não exagerar no tempero quando você pede. Na fábrica, o mesmo hotel me envia um bom almoço todos os dias. As vezes o almoço cansa um pouco porque eles são cíclicos: de tempos em tempos repetem a mesma coisa. E não é um período grande. Mas realmente não tenho do que reclamar.
Quanto a ficar doente, o período das chuvas ainda não chegou, e acho que é nele que as doenças se espalham. Mas também não estou preocupado. Só terei que tomar mais cuidado com coisas cruas, porque podem se contaminar facilmente.
Por outro lado, ultimamente, acordo alguns dias cheio de saudades do Brasil. Saudade da namorada, família, amigos. Saudade de sair sextas e sábados e tomar uma cerveja gelada. Saudade de andar na rua e não ser importunado com um pedinte a cada 100 metros. Acho que a falta de vida social acaba atenuando tudo isso.
Hoje foi um dia desses, nessa data “comemorativa” passei o dia pensando no Brasil. Mas tudo bem, amanhã estou zero quilometro novamente. Nessa vida tudo passa, até uva passa...

sábado, 8 de março de 2008

Cabrito Apimentado


Ontem a noite fomos eu, Gustavo e Hercos, comer o famoso carneiro apimentado em um dos restaurantes do hotel Welcom. Comida muito boa, lugar muito legal. Uma excelente escolha!
Com certeza vou repetir a dose outras vezes.

quinta-feira, 6 de março de 2008

As três conchas

Um das mais freqüentes piadinhas que eu escutava antes de vir para Índia é o famoso rumor que os indianos limpam a bunda com a mão. Mitos do tipo “é por isso que eles só comem com a mão direita” e “nunca dê a mão esquerda para eles, é ofensivo” sempre acompanhavam a piada.
Aqui já me deram a mão esquerda algumas vezes, sem problema algum. Do mesmo jeito que nós, brasileiros, sempre cumprimentamos com a mão direita, aqui também se faz, a não ser que esta esteja ocupada, aí sim, se usa a esquerda.
Também não comem somente com a mão direita: quem é destro come com a direita, quem é canhoto come com a mão esquerda. O que eles fazem, e muito, é comer com a mão e não se preocupar muito com onde deixam a comida. Aqui no escritório, várias vezes os caras se juntam para comer um “spice”, tipo um salgadinho picante, jogam tudo em cima de um jornal velho e começam a comer.
A verdade que originou toda essa história é que os indianos não têm o hábito de usar papel higiênico. Os rolos aqui são mais caros que no Brasil e vem muito menos, deve ser 1/3 do tamanho.
Aqui, em todos os banheiros, tem o famoso balde (nojento, por sinal). Esse balde é, quase sempre, acompanhado de uma caneca. Quando não tem a caneca, os caras levam as suas. E eles usam isso para se limpar: balde, caneca, água e...mãos!
Acho que tudo isso é mais um rejeição à tecnologia do esguicho no banheiro do que uma grande porcaria. Está certo que o esguicho é muito mais higiênico, mas alguém tem coragem de usá-lo em lugares públicos? Ou seja, não é tão higiênico assim.
A grande pergunta que fica é: como é que os caras usam a caneca? Jogam a água? Como? De baixo para cima? Derramam? Não consigo imaginar. Ou melhor, começo a rir antes de arquitetar a imagem.Deve ser alguma coisa como “as três conchas” naquele filme em que o Stallone é descongelado no futuro e a única coisa que encontra no banheiro são três conchas, que não faz idéia como usá-las.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Passeio de Domingo

Semana passada chegaram mais dois brasileiros aqui no hotel e, ontem, saímos para dar uma volta na cidade. Na saída contei a eles sobre um palácio que existe na cidade, um dos poucos pontos turísticos aqui.
Decidimos ir até lá e descobrimos que tinha um museu também. Como digo: estrangeiro na Índia é rico, pelo menos essa é a mentalidade do povo aqui. A entrada para o museu era Rs25,00 ( 25 rupias) para indiano e Rs100,00 para estrangeiro. Na maior cara de pau! Com preço tabelado e tudo. Bom, pagamos Rs200,00 para o museu e o palácio, foi quando descobrimos que não poderíamos tirar foto lá dentro.
Ok! Não pode tirar foto beleza. Uma bosta, mas beleza. Entramos, rodamos o museu e no final nada demais. Bastante quadro – alguns muito bonitos – alguns vasos e estátuas. Mas nada que realmente definisse alguma coisa. Saí de lá sem saber se era um museu de artes, de história, ou se só juntaram várias coisas antigas em uma casa.
Então fomos ao palácio. Muito bonito, cheio de detalhes, mas só pudemos tirar fotos do lado de fora. Dentro também era um museu com uma exposição, do meu ponto de vista, mais legal. Várias armas antigas, desde armaduras feudais até as armas usadas pelos ingleses para dominar a Índia. Animais empalhados da época que seu antigo dono, um marajá da região, caçava e mandava empalhar.
Dentro e fora uma riqueza de detalhes e contornos impressionantes, todos em mármore, madeira ou marfim. Em um grande salão havia grandes vitrais onde estavam desenhados os deuses hindus.
Uma pena que a conservação e a exploração como lugar turístico deixava a desejar. Coisas mal cuidadas e falta de informação estavam lá. Apenas o primeiro andar do palácio é liberado ao público, os outros são fechados. Invés de deixarem o público explorar o passado, o deixam escondido, muito provavelmente, as traças.
Mas o passeio valeu! Só o fato de não passar o dia todo no hotel já foi bom. Agora, para terminar os passeios na cidade, falta apenas um zoológico para visitar. Vou fazer isso esse mês e depois busco outras coisas para fazer.

sábado, 1 de março de 2008

Macaco!!!

Meu blog tá parecendo previsão de Horóscopo Chinês - camelo, macaco -, mas não podia deixar de falar que ontem, finalmente eu vi um macaco aqui na fábrica.
Todos que passaram por aqui me falaram dos macacos. Diziam que são comuns, estão em todos os lugares: na fábrica, nas ruas, nas casas. Diziam também que não são pequenos, pintavam um macaco do tamanho de um orangotango.
Mas não tinha visto nenhum até ontem, quando estava indo embora da fábrica. Caceta! O bicho é grande mesmo! Lógico que não é do tamanho de um orangotango, está mais para um chimpanzé. Mas é um macaco com cauda, e isso foi o que mais me impressionou, ele deve ter quase 1,5m de cauda!
Vou atrás de um para tirar um foto e colocar aqui no blog.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Camelo

Essa semana eu vi um camelo. Ou melhor, vi dois! Cada um puxando a sua carroça em uma caravana que passava por mim.
É bom lembrar, para aqueles que são ruins de geografia, que a Índia não é Arábia ou Egito onde os camelos são mais comuns como meio de transporte.
Enfim, foi é primeira vez que vi camelos fora de um zoológico. Pena que não estava com a máquina fotográfica em mãos.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Viajando pela India

Outro dia, conversando com o Richárd pelo MSN, ele disse uma coisa que me fez pensar um pouco sobre minha situação.
Eu estava dizendo que, quanto mais eu trabalhar aqui, melhor. Acho que isso faz com que o tempo passe mais rápido, afinal “o tempo voa quando a gente se diverte”.
Ele ficou impressionado e disse que eu tinha mais era que aproveitar minha estadia na Índia conhecendo as coisas. Isso me fez refletir sobre a possibilidade de viajar pela Índia e vou escrever aqui o que disse a ele e um pouco mais.
Todos vêem a Índia como uma cultura milenar e muito diferente. Acreditam que vir para cá é fascinante e que irá conhecer lugares ao mesmo tempo muito bonitos e impressionantes.
A verdade é que esses lugares estão aqui sim. E uma viagem pela Índia é, no mínimo, muito interessante. Para nós, brasileiros, que temos uma história de 500 anos, estarmos em um país milenar é muito diferente. Existem coisas que estão aqui a milhares de anos e, algumas, demoraram centenas para serem construídas.
Mas a estrutura da Índia deixa a desejar. Aqui não é a Europa onde você pega um ônibus, trem ou até mesmo aquelas companhias aéreas super baratas e sai, com a mochila nas costas para conhecer outros lugares, planejando encontrar algum albergue onde possa dormir para seguir sua viagem.
As estradas aqui são ruins. Só agora a Índia está investindo na construção de Autovias, mas ainda é algo pontual, não existe uma malha feita, apenas alguns trajetos. Isso inviabiliza uma viagem de ônibus pela longa duração. Para ter uma idéia, a viagem de ônibus de Mumbai a Baroda (onde estou) dura umas 8 horas, para um trajeto de menos de 400 km.
Trem é uma opção muito usada aqui na Índia. Mas também não são nada rápidos, o mesmo trajeto dura 6,5 horas. Além disso, ainda não olhei, mas tenho dúvida quanto ao conforto e qualidade da viagem, todos os trens que passaram por mim até agora estavam meio lotados.
Avião é a melhor opção de conforto e rapidez, mas aqui não existem muitas companhias e opções de vôo, muito menos vôos baratos. Ou seja, tem que economizar uma grana para essa viagem.
Outro fator muito importante: hospedagem. Na Índia não dá para se hospedar em qualquer lugar. Água e comida não são confiáveis. O problema da água em alguns lugares não é só para beber, mas para tomar banho e escovar os dentes também. A comida, além de picante e diferente, também tem problema de higiene. Portanto tenho que desenvolver minha resistência antes.
Mais um ponto que não facilitam as viagens é o calendário de trabalho na Índia. Ter só um dia de final de semana e pouquíssimos feriados no ano (nenhuma ponte), dificulta para qualquer um.
Somando tudo isso ao fato de eu estar totalmente sozinho para viajar e que isso, ao menos para mim, é um fato que pesa, as viagens se tornam mais complicadas.
Mesmo assim, apesar desses vários obstáculos, tenho três viagens planejadas. Ahmedabad á a capital do estado, uma cidade maior, com mais opções de passeios, vou tentar ir para passar o dia. Mumbai, a capital dos negócios na Índia, a maior cidade do país em população, o primeiro dois dias de folga seguidos que tiver eu irei para lá. E Delhi, a capital do país, incluindo Agra onde está o Taj Mahal, vou para lá antes de ir embora e passo alguns dias.
Se conseguir fazer essas três já estarei muito satisfeito e, dentro do possível, terei aproveitado bem minha passagem por aqui.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

O transito

Esse assunto merecia uma postagem especial. Vou tentar descrever aqui o que só é descritível com os olhos.
Uma frase resume o transito aqui: Pura emoção! A regra aqui é cada um por si e os outros que se virem. Isso causa um caos sem tamanho.
As pessoas não olham para os lados ou para trás quando dirigem (na maioria dos carros os espelhos laterais estão recolhidos ou não existe, o interno também não é usado), por isso tem que buzinar o tempo todo. Funciona como as motos na cidade de São Paulo, só que todos fazendo isso. É muito comum ver caminhões com os dizeres “Horn, please” em suas traseiras, para que eles saibam que você está por perto.
Outro dia me dei ao trabalho de contar e o meu motorista teve a iniciativa de buzinar – e aqui contam uma buzinada, buzinadas longas, buzinadas seqüenciais – 81 vezes em trajeto de, aproximadamente, 8 km. Isso é uma buzinada a cada 100m!
Outra coisa louca é que o transito se divide em carros, motos, riquixás, bicicletas, pedestres, vacas, búfalos e cabras, todos dividindo a mesma rua. E, como aqui não tem calçada com guia e de cimento – são todas de terra, no mesmo nível da rua – é comum as pessoas desviarem ou pegarem “atalhos” por onde só deveria ter pedestres e, o mesmo motivo, leva os pedestres a utilizar a rua.
Perguntei de onde vem tanta vaca e me disseram que muita gente tem vaca para tirar leite, mas as deixam soltas para que se alimentem nas ruas e depois voltem para casa. Outras são vacas velhas, que não dão mais leite e não podem ser mortas já que são sagradas, então são abandonadas nas ruas até morrerem.
Devido ao transito caótico os veículos aqui são, em geral, pequenos. Riquixás são usados como taxi, furgão, caminhonete e caminhão. Moto aqui é o carro da família, não é raro ver mais de duas pessoas em uma moto, famílias com crianças na moto. O recorde até agora foi uma moto com quatro marmanjos em cima.
O resultado de tudo isso são veículos andando, preferencialmente, na esquerda (aqui é mão inglesa), em geral não estão no melhor estado de conservação, principalmente riquixás e caminhões, e pequenos arranhões ou amassados nos carros são comuns.
No meio de tudo isso, o mais impressionante é que não se vê acidentes. E não é que só andam devagar, mas acho que o cuidado com o outro é muito maior, o fato de só olhar pra frente faz com que os motoristas não se distraiam também. Mas, obviamente, isso não é motivo para tornar isso um padrão internacional de trânsito.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Lei do Mijadouro

Existem leis que não estão escritas em lugar nenhum mas são conhecida de todos. Uma dessas leis, divulgada mundialmente, é a lei do mijadouro descrita abaixo:
Art. 1: Sempre que, em um banheiro, existir uma fileira de mijadouros, você deve se colocar na posição mais longe possível de qualquer outro usuário.
Art. 2: Se você entrar no banheiro e não tiver ninguém usando, se coloque na posição em que o próximo possa ficar o mais longe possível de você.
Qualquer homem, de qualquer país conhece essa lei e a segue como se um guarda o fosse multar pela transgressão.
Qualquer homem menos aqui na Índia! Puta merda! Você ta mijando feliz e contendo no mijadouro da ponta, entra um infeliz e encosta do seu lado. Também não é raro entrar no banheiro e o cara está usando o mijadouro do meio dos três.
Só tenho uma coisa a dizer sobre isso: sem comentários...

Pleasure to meet you, Guil-Herme Carval!

Minha mãe me deu um nome muito difícil de ser falado em outras línguas. No Chile já tinha dificuldades, aqui na Índia ninguém consegue falar meu nome com facilidade ou certo.
O resultado é que aqui meu nome mudou para Guil-Herme Carval (Lê-se guil rerme carval). E, como Guil é um nome indiano, já estão me chamando de Guil.
Uma coisa boa que descobri aqui é que 'Carval' em híndi significa algo como “get the things done”. Bem imponente, não? Talvez isso seja importante para o trabalho aqui.
Por isso, da próxima vez que você me encontrar, ou me apresentar para alguém, não estranhe se eu disser: ‘Pleasure to meet you, Guil-Herme Carval’.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Balanço Primeira Semana

Depois de uma semana aqui na Índia já posso fazer um balanço geral do que foram minhas primeiras impressões e o que estou achando daqui. Vou fazer isso por tópicos para ficar mais fácil para estruturar e para vocês lerem só o que querem saber.
  • A cidade: Baroda, ou Vadodara, é uma cidade de aproximadamente 2 milhões de habitantes. É considerada pequena para os padrões indianos (é a terceira maior do estado de Gujarat). Ainda não andei muito pela cidade para falar bem ou mal dela, sei que tem algumas construções antigas, como em qualquer cidade na Índia, e alguns shoppings.

  • Diversão: Por ser o estado onde Gandhi nasceu e começou sua peregrinação pela independência da Índia, as autoridades decidiram homenagear ele proibindo bebidas no estado. Agora, se imagine numa sociedade sem bebidas e, conseqüentemente, sem bares, sem boates, a pergunta que vem na cabeça é: como as pessoas se divertem e se socializam? A resposta é: não faço a mínima idéia! Talvez seja cedo para falar disso, mas, aparentemente, as pessoas não fazem muitas coisas aqui, principalmente de noite, mas com o tempo vou ver se descubro alguma coisa.
  • Morada: Estou morando no Taj Residence Hotel. É um hotel mega-chique que eu, caipirão, quando cheguei nem sabia o que fazer direito. Todos são super cordiais, te ajudam, é bom dia para cá, como vai para lá, te oferecem ajuda para tudo. Muito diferente dos hotéis que estava acostumado no Brasil.
    Tem uma piscina bem grande e um gramado nos fundos onde dá pra bater uma bolinha (só falta saber com quem). Tem também uma academia muito boa, com esteiras, bicicleta, aparelhos de musculação e pesos.
    O quarto também é bom, grande, tem uma mesa onde uso o computador e as vezes faço as refeições, um sofá muito bom para ver televisão, uma cama confortável – Ah! Aqui tem um menu de travesseiros, com umas oito opções diferentes para você escolher o que mais te agrada – uma copa com chás, café e leite solúveis e um aquecedor de água. O banheiro também é excelente com água quente e fria em todas as torneiras.
  • Rotina: A falta do que fazer a noite e a mudança de fuso horário me fizeram uma pessoa um pouco mais saudável. Todos os dias acordo 6:00 e vou até a academia caminhar. Volto tomo banho, falo com o Brasil, e vou para o café da manhã.
    Saio de casa umas 8:20 para o trabalho, aqui o pessoal entra as 9:00 e sai as 18:00. Chego em casa umas 18:30, vejo um pouco TV, fico na internet, falo com o Brasil de novo e, no máximo, as 22:30 eu estou dormindo. O próximo passo é malhar um pouco quando volto do trabalho.
    Faço isso da segunda a sábado (sim, aqui eles trabalham de segunda a sábado e vou ter que seguir esse horário) e domingo, que só tive um até agora, descanso. Mas, por essa semana que passou, eu posso dizer que um dia só de descanso é pouco. Hoje estou tão cansado, ou mais, que sexta-feira, você acaba não desligando. Quero ver o Pastinha falar que eu não trabalho agora!
  • Alimentação: Sem nenhum problema! Pelo contrário, estou comendo muito bem. A cozinha do hotel é excelente, com várias opções de prato indiano, chinês e internacional. Todos eles são um pouco picantes, mas quem me conhece sabe que eu gosto. Lógico, não rola aquela picanha ao alho, mas entre peixe, galinha e cordeiro a gente se vira bem por aqui.
    Na fábrica o hotel manda todos os dias a comida. Sempre é algo mais simples, mas não ruim. Ainda não me arrisquei na salada aqui, mas, outros brasileiros que estão aqui, já me disseram que não tem problema algum.
    Café da manhã tem de tudo: pães, queijo, manteiga, geléias, café, chás, leite, sucos, frutas, ovos, bacon, salsicha, etc. Normalmente como croissant, frutas e tomo café com leite. Também sem nenhum problema.
    Resumindo, a fome que achei que ia passar não existe, meu intestino, que estava tenso com a situação, está tranqüilo, sem esforços ou abalos e minha expectativa de perder 15 quilos no meu período aqui vai ter que ser na base da malhação.
  • Trabalho: A fábrica aqui é boa, nada diferente das fábricas no Brasil. Lógico que tem problemas, senão eu não estaria aqui, mas não é nada que torne meu trabalho diferente ou desagradável.
    As pessoas foram muito receptivas, me deixaram bem a vontade para trabalhar e buscam suprir todas minhas necessidades, inclusive aquelas que não tem a ver com o trabalho. Minha equipe parece muito bem preparada, são inteligentes, conhecem bem a fábrica e estão bem entusiasmados com o trabalho. Acho que não vou ter maiores problemas.
  • O idioma: Sotaque indiano é foda! Entender os caras no início foi difícil, agora já estou me acostumando e entendendo mais o que eles dizem, mas toda hora eu solto um “sorry?”. Na verdade, vai de pessoa para pessoa, alguns são um grande desafio entender, outros são tranqüilos. Mas, em um país onde as palavras ‘to’, ‘too’ e ‘two’ têm todas a mesma pronúncia, ‘tu’, as vezes uma frase pode ser bem difícil.

Bom, já escrevi demais. Tinham outros assuntos que queria abordar, mas vou deixar para depois. Acredito que já dei uma idéia do que vi na minha primeira semana aqui.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

A Viagem

Saí de Guarulhos na quinta-feira, dia 07, direto para Paris chegando lá na manhã seguinte. Fiquei por lá 24hrs, o suficiente para ver a Torre Eiffel, Museu das Armas, Louvre e Notre-Dame. Lógico que não entrei em nenhum deles, só passei pela frente, mas achei a cidade fascinante. Agora tenho uma melhor noção de onde ficam as coisas lá e, quando voltar, vou poder planejar bem meus passeios.
A chegada na Índia foi um pouco cansativa. Após nove horas de viagem cheguei por volta de meia-noite em Mumbai, tive que mudar para um aeroporto doméstico e esperar até as cinco da manhã para partir para Baroda.
Cheguei em Baroda e um taxi estava esperando para me pegar. Fui direto para o hotel e no caminho vi muito pouca coisa, já que era muito cedo e a cidade estava tranqüila. Mas a cidade é muito parecida com o que eu imaginava: vacas nas ruas, pessoas miseráveis e um mix de cultura indiana e ocidental.
Passei praticamente todo o dia dormindo, estava muito cansado de toda a viagem e a mudança de fuso. Hoje fui para o meu primeiro dia de trabalho, mas essa é outra história e fica para próxima postagem.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Primeiros Contatos

O primeiro contato real que tive com a Índia, foi indo à outra empresa na qual encontrei um Indiano que estava no Brasil por um período, apenas para prestar consultoria.
Pude conversar com ele sobre a Índia, clima, pessoas, estrutura, comida. Ele me tranqüilizou um pouco, mas é claro que levei em consideração o fato de ele ser indiano que, assim como eu quando falo do Brasil, não vai sair falando o lado ruim de seu país. Mas o Mr Senthil é muito gente boa, deixou seu telefone para contato caso precisasse de qualquer ajuda na Índia.
O segundo contato veio quando fui visitar a filial brasileira da empresa que estou indo na Índia. Aí teve grande parte de gozações, parte de gozações com fundo de verdades e parte conversas sérias.
A última informação – e a mais confiável até agora – foi a visita do meu chefe a Índia. Ele será meu coordenador no projeto e foi lá fazer a abertura. Disse que o hotel e a fábrica são duas ilhas, nem parece que está na Índia. No hotel, um atendimento VIP aos brasileiros que moram por lá, quartos muito bons e comida confiável.
Na rua é outra coisa: trânsito totalmente caótico e muita pobreza. Imaginem uma cidade com cerca de 1,5 milhão de habitantes sem semáforos, sem calçadas, sem faixas nas ruas e, podemos dizer sem leis – contra-mão é coisa normal.
Quanto à pobreza, me disse que não se pode ficar chocado ou impressionado, se fizer isso vai estar depressivo no primeiro mês. O negócio é ser indiferente dentro do possível.
No mais, as vacas e macacos nas ruas são verdade. Eles estão lá, no meio do trânsito, entrando nas casas, fuçando lixo.
A realidade se aproxima agora: minhas passagens estão emitidas, saio do Brasil dia 07/02, descanso um dia em Paris para quebrar a viagem e chego lá dia 10/02, no domingo. Na segunda-feira já começo a trabalhar.
Acho que minha próxima postagem vai ser contando a viagem e primeiras impressões. Então, até lá!